O Real Madrid mostrou superioridade categórica, dominou o Liverpool e saiu vitorioso do confronto
O Real Madrid recebeu o Liverpool nesta quarta-feira (15) pelas oitavas de final da Champions League e venceu por 1 a 0. O placar magro mascara o jogo movimentado e intenso, mas que mostrou uma grande superioridade merengue por quase todos os 90 minutos. A vitória do Real Madrid sacramentou a classificação já encaminhada em Liverpool, e o placar agregado terminou em 6 a 2 para os merengues. Agora, o Real Madrid volta suas atenções para o El Clásico do próximo domingo (19), sem tirar os olhos do sorteio das quartas de final que acontecerá na próxima sexta (17).
O jogo teve um começo frenético, mas logo o Real Madrid se encontrou e condicionou o Liverpool a partir de uma posse muito bem trabalhada e jogadas pausadas. A partir disso, os donos da casa começaram a construir sua superioridade que duraria o jogo quase inteiro. O Real Madrid teve inúmeras oportunidades de abrir o placar no começo do primeiro tempo, mas pecou nas finalizações. Em seguida, aproveitando a falta de eficácia merengue, o Liverpool cresceu no jogo. Com seu jogo de velocidade e pressão, o time do Klopp passou a condicionar o jogo por cerca de 10 minutos. No entanto, logo o Real Madrid voltou ao controle.
O segundo tempo mostrou um Liverpool que tentava acelerar o ritmo a todo momento, mas que tropeçava na imposição do jogo dos merengues. A superioridade do Real Madrid só foi recompensada aos 35 minutos do segundo tempo, com um gol de Benzema que teve envolvimento de Camavinga e assistência de Vinícius Júnior.
Escalações
Exceto pelo lesionado David Alaba, o Real Madrid tinha à sua disposição para essa partida todo o elenco principal, incluindo Mendy, que voltou a estar disponível após se recuperar de seus problemas físicos. Assim, Ancelotti apostou em Courtois no gol, Militão e Rüdiger na zaga e Carvajal e Nacho nas laterais. Mendy, ainda sem estar 100%, não começou o jogo. Kroos e Modric começaram no meio-campo e ganhavam a companhia de Camavinga e Valverde pelo setor. Por fim, Vinícius Júnior e Benzema foram os escolhidos para comandar o ataque.
Sem os volantes Henderson e Bajcetic, lesionados, e precisando reverter uma desvantagem de 3 gols, o Liverpool apostou em uma escalação ousada com 4 atacantes. Klopp começou a escalação com Alisson no gol, Van Dijk e Konaté na zaga e Alexander-Arnold e Robertson nas laterais. O meio de campo contava apenas com Milner e Fabinho, e o ataque titular era composto por Salah, Darwin Núñez, Gakpo e Diogo Jota.
Táticas iniciais

Ancelotti apostou por uma escalação menos ousada que a da ida, e devolveu Valverde à ponta-direita para preencher mais o meio de campo com Camavinga, Kroos e Modric. Assim, Rodrygo acabou começando a partida no banco. Apesar das mudanças, a abordagem que o Real Madrid escolheu para o jogo não mudou em relação à ida. O time se aproximava pelo lado esquerdo e, através da concentração de talentos como Kroos, Camavinga, Modric, Benzema e Vinícius Júnior, circulava a bola com facilidade em um ritmo mais lento que explorava o refino técnico desses jogadores.
Assim, o Real Madrid buscava a superioridade no jogo através de jogadas mais trabalhadas, que envolviam muitos jogadores. Além disso, apesar de partir de um 4-3-3, o Real Madrid não tinha uma formação estática. O ataque funcional de Ancelotti partia do princípio de aproximações, assimetrias e muitos movimentos no setor da bola. Portanto, o time não se organizava em posições, mas sim a partir das funções dos jogadores, rompendo a ideia de linhas no ataque.
O Liverpool, por sua vez, tinha uma abordagem diferente. A ideia dos ingleses era praticamente oposta à de um time pausado e calmo e jogadas muito bem trabalhadas que Ancelotti propunha: o estilo de jogo do alemão Jürgen Klopp, chamado pelo próprio de futebol heavy metal, era baseado em uma pressão muito agressiva, roubadas no campo ofensivo e ataques rápidos e diretos mais voltados à quantidade e ao volume que à complexidade das jogadas.
Assim, o Liverpool foi a campo com 4 atacantes: Salah era o ponta-direita que começava bem aberto e revezava com Alexander-Arnold para atacar por fora e acelerar pela ponta. Pela esquerda, o ponta era Darwin Núñez que tendia a centralizar mais para abrir espaço para as ultrapassagens de Robertson. Por dentro, o Liverpool tinha Diogo Jota como um atacante mais incisivo que caía pela esquerda para atacar com mais velocidade e Gakpo como um segundo atacante que armava o ataque. No meio de campo, Fabinho era um volante mais fixo e Milner caía pelo lado esquerdo.
Jogo começa com domínio do Real Madrid
O jogo começou mostrando o cenário esperado: o Liverpool pressionava ferozmente o Real Madrid, que buscava esfriar o ritmo da partida através de uma circulação de bola mais calma, apostando na pausa das jogadas e no refino técnico de seus jogadores. O começo do jogo mostrava um Real Madrid superior, que conseguia manter a bola no ataque e controlar o jogo a partir dela. No entanto, a intensidade do Liverpool rendia frutos aos ingleses, que chegavam ao ataque através da pressão e de contragolpes.
O Real Madrid conseguiu ocupar o campo do ataque nos primeiros minutos e conseguiu uma boa jogada com Vinícius Júnior pela ponta, mas Konaté o desarmou antes que ele conseguisse chutar. Em seguida, o Liverpool conseguiu uma finalização perigosa através de sua pressão. Os Reds forçaram um erro de Carvajal, que, pressionado, recuou a bola para Rüdiger. O zagueiro não conseguiu dominar e perdeu a bola para Salah, que passou para Darwin Núñez. O uruguaio finalizou, mas Courtois defendeu.
Curiosamente, a melhor chance do Real Madrid no começo do jogo foi através da pressão alta. Camavinga roubou uma bola no campo de ataque e passou para Benzema. Benzema enfiou a bola para Vinícius, que invadiu a área e passou para Kroos, que também invadia a área em uma ultrapassagem. O alemão cruzou a bola para a marca do pênalti, mas Benzema não conseguiu alcançá-la. Poucos minutos depois, o Real Madrid conseguiu mais uma chance em velocidade: em um contra-ataque depois de um escanteio do Liverpool, Vinícius recebeu em velocidade. O brasileiro deu um belo passe para Benzema, mas Gakpo o desarmou. No escanteio que seguiu o contra-ataque, Kroos levantou a bola na área e Vinícius desviou-a dentro da pequena área. No entanto, Alisson se jogou na frente da bola e conseguiu uma defesa espetacular.
Liverpool melhora na segunda metade do primeiro tempo
A partir dos 20 minutos de jogo, os times passaram a produzir menos ofensivamente e a trabalhar mais as jogadas, sem apressar tanto as finalizações. O Real Madrid continuou apostando em seu jogo pausado, explorando assim os espaços que o Liverpool deixava a partir do talento de seus jogadores. No entanto, os ingleses começaram a levar mais perigo nos ataques e, além dos contra-ataques, as chances do Liverpool também passaram a vir de jogadas mais trabalhadas. Nesse momento do jogo, começava a se desenhar um duelo entre Darwin Núñez, cada vez mais acionado, e Courtois, que passou a ser muito exigido pelo uruguaio e, portanto, a fazer mais defesas.
O Liverpool cresceu de vez com meia hora de jogo, e o famoso volume ofensivo dos times de Jürgen Klopp começou a aparecer. Em 10 minutos, o Liverpool saiu de 3 finalizações para 8, sendo 7 delas dentro da área. As sucessivas chances de ataque criadas pelos ingleses foram combinadas com uma pressão que passava a encaixar melhor e, assim, o Liverpool sufocava o Real Madrid e impedia que os merengues conseguissem longas sequências de posse de bola. Os donos da casa só voltaram de fato ao jogo por volta dos 40 minutos de jogo, já nos momentos finais do primeiro tempo.
Os primeiros 45 minutos de jogo mostraram um cenário equilibrado, onde o Real Madrid foi superior no começo e o Liverpool cresceu no final. Os números da partida refletiam esse equilíbrio: os merengues tinham 55% da posse de bola contra 45% do Liverpool, e também eram ligeiramente superiores nas finalizações (9 a 8) e em grandes chances criadas (1 a 0). Além disso, o Real Madrid acumulou 0,62 gols esperados, contra 0,47 do Liverpool.
Segundo tempo começa intenso
O segundo tempo começou com o mesmo cenário do fim do primeiro tempo, apresentando dois times bem ligados no jogo que buscavam o ataque a todo momento. Desse modo, os primeiros 10 minutos do jogo mostraram um Real Madrid que buscava chegar no campo adversário através de jogadas trabalhadas e um Liverpool que ameaçava o adversário com uma pressão voraz e jogadas em velocidade.
Apesar do alto ritmo de ambas as equipes, foi o Real Madrid que colecionou as melhores chances do jogo. A primeira veio com uma roubada de bola de Benzema no campo de ataque, que acabou gerando uma situação de 1 contra 1 entre Valverde e Alisson. O uruguaio conseguiu chutar, mas bateu em cima do goleiro. Pouco depois, em uma saída de bola, Militão viu espaço nas costas da defesa do Liverpool e, assim, fez um belo lançamento para Vinícius Júnior. O brasileiro cruzou o campo para receber a bola e alcançou-a do lado direito do ataque, onde conseguiu espaço para cruzar rasteiro para Benzema. O francês alcançou a bola, mas Alexander-Arnold se recuperou no lance e cortou o chute.
Por volta dos 15 minutos do segundo tempo, Jürgen Klopp fez as primeiras substituições do jogo, tirando Darwin Núñez e Diogo Jota para a entrada de Firmino e Harvey Elliot. Desse modo, Klopp acrescentava um armador a mais no ataque com Firmino e encorpou mais o meio-campo com Elliot, que atacava pelo lado direito junto de Alexander-Arnold e Salah.
Com 20 minutos do segundo tempo, o Real Madrid conseguiu imprimir no jogo um cenário mais confortável: o time passou a circular a bola com mais facilidade e a esfriar o ritmo alucinante do Liverpool, apesar de não converter a posse em chances claras. Além disso, a marcação merengue começou a encaixar melhor, e o time passou a condicionar mais o jogo sem a bola também, defendendo melhor as áreas mais perigosas e freando os ataques do Liverpool.
Gol do Real Madrid e reta final
O controle que o Real Madrid impunha no jogo a partir da posse de bola foi recompensado já perto dos 10 minutos finais. O time conseguiu encaixar uma longa sequência de passes e, através de aproximações, construiu uma longa sequência de posse, superando categoricamente a pressão do Liverpool. A partir disso, Camavinga conseguiu espaço no meio de campo e deu uma bela bola enfiada para Benzema, que recebeu de costas na entrada da área. O francês fez o pivô para Vinícius Júnior, que invadiu a área mas furou a bola na hora de chutar. No entanto, ela não saiu do controle de Vinícius, que conseguiu, sentado, rolar a bola para Benzema que fez o gol sem goleiro e abrir o placar para o Real Madrid.
Logo depois do gol merengue, Ancelotti fez suas primeiras alterações: tirou Benzema, que se machucou ao disputar a bola no lance do gol, para a entrada de Rodrygo, tirou Kroos e Modric para revitalizar o meio-campo com Tchouaméni e Ceballos. Além disso, Asensio entrou no lugar de Vinícius Júnior e Lucas Vázquez substituiu Carvajal na lateral-direita.
O gol do Real Madrid esfriou de vez os ânimos do Liverpool, que já vinham diminuindo à medida que o relógio avançava. Desse modo, os merengues ficaram ainda mais confortáveis em impor seu estilo pausado. Além disso, as alterações de Ancelotti ajudaram o Real Madrid a manter o ritmo e a não sucumbir à pressão inglesa. O jogo terminou mostrando uma superioridade categórica do Real Madrid, apesar de alguns momentos mais ligados do Liverpool. Os merengues tiveram 54% da posse de bola, finalizaram 17 vezes e criaram 4 grandes chances, enquanto os ingleses chutaram 9 vezes (apenas 1 no primeiro tempo) e não criaram grandes chances. Além disso, o Real Madrid acumulou 2,15 gols esperados contra apenas 0,49 do Liverpool.
Ficha técnica
Real Madrid 1×0 Liverpool
Data: 15 de março de 2023
Local: Estádio Santiago Bernabéu, Madri (ESP)
Competição: UEFA Champions League, oitavas de final
Gols: Benzema 78′
Real Madrid: Courtois; Carvajal (Lucas Vázquez), Militão, Rüdiger, Nacho; Camavinga, Kroos (Tchouaméni), Modric (Ceballos), Valverde; Vinícius Júnior e Benzema (Rodrygo). Treinador: Carlo Ancelotti.
Liverpool: Alisson; Alexander-Arnold, Konaté, Van Dijk, Robertson (Tsimikas); Fabinho, Milner (Chamberlain); Salah, Gakpo (Fábio Carvalho), Darwin Núñez (Roberto Firmino), Diogo Jota (Harvey Elliot). Treinador: Jürgen Klopp.
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