Os merengues chegaram a tomar 3 a 0, mas gol de Rodrygo forçou a prorrogação e Benzema decidiu o confronto

O Real Madrid recebeu o Chelsea nesta quinta-feira (12) pelo jogo de volta das quartas de final da Champions League. Decidindo em casa e com 3 a 1 a favor no agregado, o cenário era favorável para os merengues, mas o jogo não foi bem assim. Um início eletrizante colocou os visitantes em vantagem no placar com apenas 15 minutos de jogo, e no segundo tempo a remontada inglesa foi concretizada.

No entanto, as entradas de Camavinga, Marcelo e Rodrygo mudaram o jogo. Após o Real Madrid estar perdendo por 3 a 0 em pleno Santiago Bernabéu, Marcelo iniciou a jogada, Modric deu um passe genial e Rodrygo diminuiu o placar para 3 a 1. Desse modo, o Real Madrid empatou o placar agregado e forçou uma prorrogação.

No tempo extra, foi a vez de Camavinga brilhar. O francês roubou a bola de Kanté no ataque e deu um passe longo para Vinícius Júnior. O brasileiro levou para fora e cruzou para Benzema diminuir para 3 a 2 e classificar o Real Madrid em um 5 a 4 no agregado. O segundo gol dos merengues foi o 38º do francês na temporada, que está a 1 gol de se tornar o artilheiro da Champions.

Desfalques e escalações

O principal desfalque para Carlo Ancelotti foi Éder Militão, suspenso por acúmulo de cartões amarelos no jogo de ida contra o Chelsea. Isco e Hazard, lesionados, tampouco foram relacionados para a partida, e Jesus Vallejo também não foi integrado ao elenco após testar positivo para COVID-19. No entanto, o lateral Mendy voltou a ficar disponível após perder o jogo contra o Getafe por um desconforto.

Sem muitos desfalques no time titular, Ancelotti repetiu a estratégia do jogo de ida ao escalar Valverde entre os titulares. Courtois começava no gol e Nacho substituiu Militão ao lado de Alaba na zaga. Carvajal e Mendy compunham as laterais, e o tradicional meio de campo com Kroos, Modric e Casemiro ganhava mais uma vez a companhia de Valverde. Benzema e Vinícus Júnior completavam a escalação.

Do lado do Chelsea, Lukaku foi o principal desfalque com dores no calcanhar. Porém, mesmo contando com o retorno de Azpilicueta, o time londrino inovou na escalação. Mendy era o titular no gol e o ala Reece James começou o jogo como zagueiro pela direita. Thiago Silva e Rüdiger completavam a linha de 3 zagueiros e Loftus-Cheek e Marcos Alonso foram os alas titulares. O ex-Real Madrid Kovacic foi titular ao lado de Kante no meio de campo e Mason Mount, Havertz e Werner comandavam o ataque.

Começo do primeiro tempo e táticas iniciais

Valverde, apesar de ser meio-campista, começou o jogo atuando pela ponta direita quando o Real Madrid atacava. Quando os donos da casa perdiam a bola, no entanto, Valverde defendia mais atrás, compondo a linha de meio de campo. O Chelsea também alterou sua estrutura de marcação e se posicionava em um 4-4-2 sem a bola, com Reece James atuando como lateral e Loftus Cheek como meia direita. Quando atacava, o Chelsea voltava ao seu tradicional 3-4-2-1.

O Chelsea começou o jogo com uma postura agressiva e ofensiva. Os alas se juntavam aos atacantes, enquanto Rüdiger e Reece James, zagueiros pelos lados, apoiavam o meio de campo com subidas esporádicas. Para frear os 5 atacantes do Chelsea, o Real Madrid recuava Casemiro para a zaga quando a bola passava da intermediária, criando assim um 5×5 na linha defensiva. Desse modo, o time da casa marcava em um 5-3-2 com um bloco recuado, mas voltava ao 4-3-3 para pressionar o Chelsea no campo do adversário.

O início de jogo foi muito intenso, com chances para os dois lados. O Real Madrid apresentava uma marcação mais adiantada, mas ainda apostava nos contra-ataques rápidos com Vinícius e Benzema como principal arma ofensiva. Assim, o Chelsea conseguia ter mais a bola e propor mais o jogo. Mesmo assim, as transições do Real Madrid conseguiam ferir o time visitante e logo aos 10 minutos, Vinícius Júnior sofreu uma falta e deixou Reece James pendurado. Benzema cobrou, mas a bola passou por cima do gol.

Gol do Chelsea e resposta dos dois times

O Chelsea conseguiu abrir o marcador com menos de 15 minutos de jogo. Aproveitando a dificuldade do Real Madrid em manter a bola, os ingleses conseguiram uma roubada de bola na intermediária defensiva e, após uma jogada de Reece James, Werner achou um passe cirúrgico para a infiltração de Mason Mount pela esquerda, que bateu de primeira e abriu o placar para o Chelsea.

Após o gol, o Chelsea passou a se lançar mais para o ataque e desistiu do 4-4-2 na fase defensiva, marcando em um 3-4-3. O Real Madrid adiantou ainda mais a marcação e começou a cercar agressivamente a saída de bola adversária. O Chelsea, no entanto, conseguia superar a pressão e continuava oferecendo perigo em ataques rápidos e em troca de passes no meio de campo. Mesmo com a ajuda de Valverde, o lado direito do Real Madrid sofria defensivamente.

A principal arma do Chelsea era atrair para acelerar. O time de Tuchel tinha o goleiro, os zagueiros, alas e volantes participando da saída de bola. Assim, 8 jogadores apoiavam a primeira fase de construção. Essa postura exigia que o Real Madrid subisse muitos jogadores para pressionar e, portanto, deixasse espaço nas costas do meio de campo e da defesa. O Chelsea aproveitava esse espaço com passes rápidos e descidas em velocidade dos atacantes e alas. Para evitar isso, o Real Madrid voltou a deixar Casemiro no meio de campo, evitando assim a superioridade numérica do Chelsea no setor.

Defensivamente, o Chelsea subia muito a marcação e o Real Madrid tinha dificuldade em elaborar uma saída de bola, já que o Chelsea pressionava com os 3 atacantes, 2 alas e 2 volantes. Quando o Real Madrid conseguia superar a pressão, também tentava armar ataques rápidos, mas não conseguiu furar a defesa do Chelsea.

Segunda metade do primeiro tempo e dinâmica continua

A marcação agressiva e o mecanismo de ataque veloz do Chelsea continuou e o time inglês seguia ferindo o Real Madrid nas transições. O time da casa, por sua vez, não conseguia mais marcar em bloco alto e passou a ficar mais atrás, tentando frear os ataques rápidos em um 4-1-4-1 sem a bola. Exceto por um chute de Benzema na entrada da área aos 23 minutos, desviado pela zaga, o Real Madrid não conseguiu chances claras no primeiro tempo.

Enquanto isso, o Chelsea conseguia abrir o campo com os alas Loftus Cheek e Marcos Alonso, alargando a defesa do Real Madrid e criando espaço para a circulação dos 3 atacantes. Para evitar isso, Valverda marcava mais aberto, tentando frear os ataques de Marcos Alonso. A velocidade de Reece James pelo lado direito da zaga era essencial para frear as descidas em velocidade de Vinícius Júnior, que era a única ameaça do Real Madrid nos primeiros 45 minutos.

O Real Madrid só conseguiu manter mais a posse de bola depois da primeira meia hora de jogo, mas continuou sem conseguir produzir grandes chances. A reta final do primeiro tempo foi mais truncada, com mais faltas marcadas e uma disputa física no meio de campo. Na primeira metade do jogo, a posse de bola foi equilibrada (49% para o Real Madrid e 51% para o Chelsea), mas o time visitante produziu muito mais ofensivamente, com 7 finalizações contra apenas 3 dos merengues. Além disso, os blues chutaram 3 vezes dentro da área e produziram a única grande chance do jogo.

Segundo tempo frenético e outro gol do Chelsea

Ambas as equipes voltaram após o intervalo sem substituições. O cenário do jogo continuou o mesmo e, com 30 segundos do segundo tempo, o Chelsea conseguiu uma descida perigosa, mas a defesa do Real Madrid conseguiu cortar um cruzamento dentro da área. Pouco depois, o juiz marcou uma falta de Havertz em cima de Courtois após uma dividida entre os dois na área do Real Madrid. O goleiro demonstrou dor, mas continuou em campo sem problemas.

Foi com 5 minutos do segundo tempo que o Chelsea ampliou o placar e empatou o agregado. Após um chute desviado, Mason Mount cobrou o escanteio e o zagueiro Rüdiger subiu sozinho para marcar o segundo gol do jogo. Os jogadores do Real Madrid reclamaram sobre o escanteio mal marcado, mas o VAR não poderia intervir no lance que originou o escanteio.

Com a classificação ameaçada, o Real Madrid começou a apresentar mais intensidade na partida e conseguiu um chute de Benzema dentro da área aos 7 minutos, mas foi bloqueado por Reece James. Pouco depois, Kroos cobrou uma falta direto para o gol, mas Mendy fez uma grande defesa. O Real Madrid passou a conseguir manter mais a posse e a trabalhar mais os ataques, e voltou a subir a marcação para recuperar a bola no ataque.

O Chelsea, no entanto, continuava tendo espaços nas costas do Real Madrid com ataques em velocidade, e Havertz finalizou dentro da área pressionado, pra fora, com 11 minutos. 5 minutos depois, o Chelsea roubou a bola de Mendy, saiu em velocidade e Kanté enfiou a bola para Marcos Alonso, que bateu em cima da zaga. A bola voltou para ele, que bateu com força com a perna direita e marcou. No entanto, a arbitragem anulou o gol por um toque de mão.

Remontada do Chelsea

Logo depois da anulação do gol, o Real Madrid encaixou um ataque pela lateral e Benzema conseguiu a cabeçada, mas a bola explodiu no travessão. Com 22 minutos, Rüdiger cortou uma enfiada de bola de Kroos para Vinícius, que deixaria o brasileiro cara a cara com Mendy. Depois do momento frenético da segunda etapa, o Real Madrid manteve a posse de bola, sem oferecer perigo, mas também sem sofrer. Com 27 minutos do segundo tempo, Ancelotti realizou a primeira substituição do jogo, tirando Toni Kroos para a entrada de Camavinga, tentando dar mais força física ao meio de campo.

A entrada de Camavinga não surtiria efeito, pois apenas 3 minutos depois da entrada do francês, o Chelsea completaria a virada. Werner começou uma jogada pela esquerda, Kanté e Kovacic trocaram passes e o croata devolveu a bola para Werner. O atacante driblou Casemiro e Alaba e bateu para fazer um golaço. Com o terceiro gol, o Chelsea conseguiu virar o agregado para 4 a 3 e consolidar sua remontada. Pouco depois, Courtois fez um milagre para defender a cabeçada de Havertz após um escanteio.

Alterações finais e Real Madrid de volta ao jogo

A remontada do Chelsea, no entanto, não durou muito tempo. Com 32 minutos, Casemiro e Mendy saíram para a entrada de Rodrygo e Marcelo, em uma tentativa de dar mais força ao ataque. As entradas surtiram efeito rapidamente: Marcelo iniciou a partida, o Real Madrid conseguiu trocar passes com mais velocidade e Modric deu um passe genial com a parte de fora do pé para Rodrygo bater de primeira, marcar um golaço e voltar a deixar o agregado empatado.

O gol de Rodrygo resgatou o Real Madrid no jogo, que começou a marcar melhor as investidas do Chelsea e a sair melhor para o ataque, com a ajuda de Rodrygo e Marcelo. Após a saída de Casemiro, Camavinga passou a ser o primeiro volante, com Valverde e Modric a frente do francês compondo o meio de campo. Marcelo e Vinícius se entendiam muito bem pela esquerda: o lateral veterano construía o jogo por dentro, enquanto o ponta começava o ataque aberto e cortava pra dentro quando a bola chegava no ataque.

A última alteração do Real Madrid no jogo foi aos 43 minutos do segundo tempo. O zagueiro Nacho, com cãibras, saiu para a entrada de Lucas Vázquez, que foi para a lateral direita, empurrando Carvajal para atuar na zaga ao lado de Alaba. O Chelsea voltou a ter uma grande chance com Pulisic já nos acréscimos, recebendo uma bola longa e chutando por cima do gol de Courtois. Pouco depois, mais uma vez Pulisic teve a chance de classificar o Chelsea após uma jogada ensaiada, mas voltou a isolar a bola. O jogo terminou 3 a 1 no tempo normal e 4 a 4 no agregado e, assim, foi à prorrogação.

Primeiro tempo da prorrogação e virada do Real Madrid

Os times foram para o tempo extra sem novas substituições. A principal mudança do Real Madrid foi a troca de posições entre Camavinga e Modric. O croata passou a atuar como o primeiro volante e o francês se alinhou com Valverde. Assim, o Real Madrid tinha mais qualidade na saída de bola enquanto Valverde e Camavinga eram infiltradores, invadindo a área do Chelsea.

O papel mais avançado de Camavinga se mostrou muito importante com apenas 5 minutos da prorrogação. O francês roubou a bola de Kanté na intermediária do Chelsea e enfiou a bola para Vinícius Júnior, que atacou por fora e cruzou a bola para Benzema marcar de cabeça o quinto gol do Real Madrid no confronto e recolocando o time merengue na frente do placar agregado.

O mecanismo do Real Madrid se baseava em um 2-2-6. Carvajal e Alaba formavam a zaga e Marcelo atacava por dentro, se juntando a Modric no meio de campo. Valverde e Camavinga atuavam como infiltradores e se juntavam ao ataque. Vinícius Júnior se posicionava espetado pela esquerda, pronto para atacar as costas da defesa do Chelsea. Rodrygo atuava mais por dentro, abrindo o corredor para Lucas Vázquez, e Benzema comandava o ataque por dentro.

O Chelsea tentou se lançar para o ataque, trocando Kanté por Ziyech, mas não conseguiu emplacar os ataques rápidos do começo do jogo. O Real Madrid aproveitou o desgaste físico do adversário para subir a marcação e roubar a bola no ataque. Com 12 minutos da prorrogação, Benzema roubou a bola perto da entrada da área e rolou para Camavinga bater com força por cima do gol. Os ataques do Chelsea conseguiam invadir o campo do Real Madrid, mas a defesa merengue se manteve compacta e o Chelsea só conseguiu um chute no alvo.

Segundo tempo da prorrogação e Chelsea parte pro abafa

Chelsea voltou para os 15 minutos finais de jogo com Saúl no lugar de Loftus Cheek e com Jorginho no lugar de Kovacic. No entanto, mesmo com as alterações que jogavam o time pra frente, o Chelsea não conseguiu produzir muito no começo do segundo tempo da prorrogação. As entradas de Camavinga e Rodrygo foram muito importantes para manter a marcação e frear os ataques mais perigosos do Chelsea. Valverde, que jogou desde o começo, também manteve a intensidade e o Real Madrid venceu a batalha física na prorrogação.

O segundo tempo da prorrogação marcou um Real Madrid mais recuado, preocupado em bloquear as descidas do Chelsea e em sair em velocidade com Vinícius Júnior, Rodrygo, Valverde e Camavinga quando recuperava a bola. Os blues não conseguiam mais circular a bola por dentro e a defesa merengue, bem compactada, forçava o adversário a jogar pelos lados. Na reta final da prorrogação, o Real Madrid promoveu uma leve alteração na marcação. Quando o Chelsea começava a saída de bola, os merengues se alinhavam em um 4-2-3-1, com Valverde a frente de Camavinga e Modric.

O Chelsea conseguiu sua primeira grande chance desde o início da prorrogação já aos 7 minutos do segundo tempo em um contra-ataque com Ziyech, que recebeu uma bola em velocidade pela direita e finalizou com força, mas Courtois fez uma grande defesa e mandou a bola para escanteio. Pouco depois, o Chelsea voltaria a ter duas grandes chances: uma em um bate-rebate em um escanteio e outra após um cruzamento de Reece James para Havertz, que cabeceou para fora.

Final de jogo intenso e Real Madrid classificado

Com 8 minutos do segundo tempo da prorrogação, Ancelotti voltou a mexer na estrutura do Real Madrid. O italiano tirou Vinícius Júnior para a entrada de Dani Ceballos. Assim, o time merengue passou a se postar em um 4-4-2, com Valverde, Camavinga, Modric e Ceballos no meio de campo e Rodrygo e Benzema no ataque.

A reta final de jogo foi marcada pela agressividade do Chelsea, que se lançou para tentar empatar o confronto e forçar uma disputa de pênaltis. O Real Madrid, por sua vez, continuou se fechando em um bloco baixo e começou a sentir o desgaste físico, já que não conseguia mais puxar os contra-ataques. A última chance do jogo foi do Chelsea. Em um escanteio no final da prorrogação que até o goleiro Mendy foi pra área, a bola sobrou para Jorginho que chutou para fora.

A postura agressiva do Chelsea, no entanto, não surtiu efeito. Os ingleses finalizaram seis vezes nos últimos 15 minutos da prorrogação e tiveram 70% da posse de bola, mas apenas uma finalização acertou o alvo. O Chelsea encerrou o jogo com 28 finalizações, sendo 7 no alvo, e criou 5 grandes chances, mas desperdiçou 4 delas. No final, a melhora ofensiva e defensiva do Real Madrid no final do segundo tempo e no início da prorrogação, junto da falta de pontaria do Chelsea, custaram a classificação para os Blues.

O Real Madrid se junta ao Villarreal no grupo dos semifinalistas e agora aguarda o confronto entre Manchester City e Atlético de Madrid para conhecer seu adversário na próxima fase da competição. O time agora foca na recuperação física após uma prorrogação desgastante e volta suas atenções para LaLiga, onde enfrentará o terceiro colocado Sevilla no próximo domingo (17).