Muito emocionado, Marcelo Vieira se despede do Real Madrid após 16 temporadas

O Real Madrid se despediu nesta segunda feira (13), em uma homenagem feita em Valdebebas, do lateral esquerdo Marcelo. Reunido com sua família, companheiros do clube, Carlo Ancelotti e Florentino Pérez, o lateral concedeu uma entrevista muito emocionante. Depois de 16 temporadas defendendo a camisa branca do Madrid, Marcelo se tornou o jogador com mais títulos na história do clube e sai como uma lenda.

“Antes de tudo, quero agradecer ao clube, companheiros e treinadores que tive a chance de jogar durante todos esses anos. Assim como, o pessoal da residência, os roupeiros e todos aqueles que não são vistos. Vocês são a minha família. Cheguei no Real Madrid como um menino e saio um homem”, disse.

Marcelo chegou no Real Madrid com 18 anos, desde então foram mais de 546 jogos com o maior campeão da Europa. Nesse sentido, o lateral relembrou como estava ao fechar com o clube e o que sentiu ao ver o Bernabéu pela primeira vez.

“Quando eu sai do Brasil eu tinha em mente jogar em um grande time da Europa e jogar a Liga dos Campeões. Quando o Real Madrid apareceu eu não tive dúvidas. O Bernabéu me impressionou muito. Quanto aos novos jogadores, espero que entendam a capacidade do Madrid de ganhar e de te fazer feliz. Não há lugar melhor do que o Madrid”, completou

Seus relacionamentos e inspirações no clube

Do mesmo modo que é visto como lenda pelos jogadores mais novos do Madrid, Marcelo relembrou do seu primeiro capitão em campo, Raúl González. Muito emocionado, o brasileiro contou a todos sobre como foi bem recebido pelo espanhol e como tentou seguir o seu exemplo.

“Quando cheguei, Raúl me ajudou muito, ainda mais quando meu filho Enzo nasceu. Nunca vou me esquecer que ele chegou com um presente, uma cesta com muitas coisas para bebê e me deu muitos conselhos. Sempre foi muito carinhoso, ele e sua família. Nunca vou me esquecer que queria seguir o seu exemplo”.

Ainda assim, Marcelo contou sobre seus relacionamentos com seus treinadores e como teve muita sorte em jogar muitos minutos com o time.

“Eu tive treinadores especiais e bons. Tive muita sorte em jogar mais que fiquei no banco e cada treinador nos ensina algo. Por exemplo, nessa temporada quase não joguei e mesmo assim me senti útil. Teve tempos que joguei muito e não sentia útil. Para fazer uma equipe ter sucesso você precisa estar junto. Para mim, foi muito bonito ver como ganhamos a Liga e a Champions, mesmo que eu não tenha jogado muitos jogos”, declarou

Tempo no banco e futuro

Em todas as 16 temporadas no clube, esta ultima (21/22) foi a que o brasileiro teve menos minutos em campo. Contudo, Marcelo sempre deixou claro ao treinador Ancelotti que gostaria de jogar mais e no decorrer da temporada o jogador entendeu que seu papel como líder poderia ajudar tanto quanto ele em campo.

“Falei com o treinador e disse que gostaria de jogar mais. Mesmo que eu falasse, no fim, quem decide é ele. Nessa temporada, eu entendi que o papel principal nem sempre está em campo, mas em todos os setores. Ainda fui egoísta com Zidane e Ancelotti, porque estava com raiva e queria jogar mais. Mas entendi que posso ajudar de outras maneiras”, falou.

Marcelo ainda contou o que sentiu quando o informaram que não iriam renovar por mais um ano seu contrato e se viraria treinador uma dia.

“Bem, no começo você fica triste, mas depois entende e vê como uma realidade melhor. Não me sinto como uma lenda. Não vejo problemas em sair do Madrid. Minha vida não termina aqui. Sempre torcerei pelo Madrid e todos nós (ele e o staff) decidimos que sairei bem, pela porta da frente e de cabeça erguida. Eu não queria mais um ano ou dois por pena”. Ainda completou: “Não me vejo como treinador, não entendo muito de táticas. Eu acho que não vale a pena tentar e quando eu tiver meu futuro decidido irei publicar em meu Instagram“.

O que deixa em Madrid e o amor dos torcedores

Acima de tudo, Marcelo sempre foi um exemplo para todos os jogadores e para os torcedores. O lateral, com seu carisma e amor à camisa, sempre será um dos pilares do madridismo e uma lenda a ser seguida. Adorado pela torcida, o jogador afirmou que ama os jogadores e sempre os levará em seu coração.

“Vou levar todos os torcedores em meu coração. Lembro que em um jogo o Bernabéu cantou ‘Parabéns’ em meu aniversário. E também, o pessoal na rua me fala para não ir embora. Fico muito feliz por me verem como essa pessoa que sou e não como apenas um cara que só chuta uma bola”, declarou.

Além disso, Marcelo falou sobre seu avô, responsável por tudo que ele conquistou e seu maior incentivador fora dos campos: “Tudo que já consegui, meu avô tem uma parte imensa. Sempre me deu muita liberdade e por isso amadureci antes de todos. Eu cheguei com 18 anos achando que estava maduro, agora vejo os meninos com 18 anos e penso que não tinha nem ideia. A minha história está escrita e saio daqui como tinha que sair”.

Por fim, vendo seu filho jogando pelo time juvenil e seguindo seus passos, Marcelo conta o que deixa pra trás e o que busca agora.

“Quando você vê seu filho jogar, é uma loucura. Não tem como explicar. Quando você vê seu filho competir, é a coisa mais forte que existe. Nesse sentido, sei que o Real Madrid está em boas mãos. O que deixo aqui é a humildade e os pés no chão. Acabei de falar com a minha família que tenho cinco Champions League e, mesmo não jogando a última, foi a que me senti mais importante. Falei com Rodrygo e Valverde antes da partida e é isso que me deixa feliz. Essa é o legado que quero deixar, essas coisas internas. Além disso, quero que os jovens entendam que tudo é possível e que percebem que o Madrid é muito melhor do que pensamos”.