Quando os dois melhores times (e jogadores) do mundo ficaram cara a cara em um duelo histórico

Há 63 anos, no dia 17 de junho de 1959, o Real Madrid recebeu o Santos de Pelé no Santiago Bernabéu e venceu o time brasileiro por 5 a 3. Em um amistoso destinado a homenagear o madridista Miguel Muñoz, que havia se aposentado um ano antes, as equipes se enfrentaram duas semanas após a final da Champions League (então Copa dos Campeões), em que o Real Madrid venceu o Stade de Reims por 2 a 0.

O Santos, no meio de uma intensa excursão pela Europa, venceu 11 dos 13 amistosos que realizou antes de chegar a Madri. Os três últimos jogos dessa excursão contra Hamburgo (6 a 0), Hannover (7 a 1) e Enschede (5 a 0) foram vitórias estrondosas do Santos, que tinha um saldo de 18 a 1 nessas partidas. Pelé, nesses 13 amistosos, marcou 14 gols, e era motivo de preocupação no Real Madrid.

Em um jogo frenético, o Real Madrid saiu atrás com um golaço de Pelé, mas o espanhol Enrique Mateos virou a partida com 3 gols em 23 minutos. Pepe, cobrando um pênalti contestado pela imprensa espanhola, diminuiu para 3 a 2 com 10 minutos do segundo tempo. No entanto, com apenas três minutos em campo, Puskás aumentou a vantagem madridista para 4 a 2 logo aos 12 minutos da segunda etapa. Já no fim do jogo, Coutinho deixou o dele, mas Gento fechou o caixão a 7 minutos do fim da partida, sacramentando o placar de 5 a 3. Setenta mil torcedores no Santiago Bernabéu viram Pelé encarar o Real Madrid, mas ser superado pelo time galático dos madridistas.

Real Madrid dominante na Europa, mas já com problemas

Mesmo tão pouco tempo depois de conquistar a Copa dos Campeões, o clima no Real Madrid não era dos melhores. A derrota dos madridistas para o Athletic Bilbao e o empate com o Espanyol nas duas últimas rodadas do Campeonato Espanhol praticamente sacramentaram o título nacional para o Barcelona.

Além disso, entre a final da Copa dos Campeões e o jogo contra o Santos, o Real Madrid disputou os jogos de ida e volta pelas semifinais da Copa do Rei (então Copa do Generalíssimo), e perdeu ambos para o Barcelona. O jogo de volta foi uma categórica vitória catalã por 3 a 1 no Camp Nou, três dias antes do confronto contra o Santos. A reta final decepcionante da temporada e conflitos internos levaram à saída do técnico Luis Carniglia antes do começo da nova temporada.

Outro problema para o Real Madrid foi a saída de Raymond Kopa. O atacante francês havia chegado do Stade de Reims em 1956, e até enfrentou os merengues pela final da Copa dos Campeões de 1955/1956 já contratado pelo time espanhol. Ele viria a se tornar uma peça importantíssima para o ataque nos anos seguintes, conquistando duas vezes a LaLiga e três vezes a Copa dos Campeões. No entanto, ao fim de seu contrato de três anos, Kopa resolveu retornar ao Reims, deixando uma importante lacuna no ataque madridista.

Time galático e consolidado

Apesar disso, o Real Madrid ainda chegava com o rótulo de melhor clube da Europa, principalmente pela campanha na Copa dos Campeões. Os madridistas vinham de um ataque recordista em LaLiga, com 89 gols em 30 jogos. Na Copa dos Campeões, o Real Madrid disputou 8 jogos, com 5 vitórias e apenas 1 derrota, marcando 16 gols e sofrendo 3. Com uma defesa sólida para a época e um ataque fulminante, com 113 gols em 52 jogos, o Real Madrid mantinha assim sua grife como a melhor equipe do mundo.

A grande estrela do Real Madrid, no entanto, era a maior atração. Alfredo di Stéfano já era vencedor da Bola de Ouro de 1957, e mais tarde em 1959 venceria o prêmio pela segunda e última vez. O hispano-argentino terminara a temporada 1958/1959 com 34 gols e 24 assistências em 43 jogos disputados. Assim, ele contava com uma média de 1,34 participações diretas (gol ou assistência) por jogo. Ao lado de Di Stéfano, havia o recém-chegado Puskás. Durante aquela temporada, o húngaro disputou 34 jogos e marcou 25 gols, além de contribuir com 15 assistências.

Para completar o elenco estrelado que enfrentaria o Santos, o Real Madrid contou com dois jogadores convidados. O primeiro foi o ponta-esquerda basco Gaínza, que construiu sua carreira pelo Athletic Bilbao e se aposentava ao final daquela temporada. Para que Gaínza jogasse, Gento cedeu-lhe o lado esquerdo do ataque e foi deslocado para a ponta-direita. O segundo foi o badalado jovem Luis Del Sol, conhecido na Espanha como “o Di Stéfano do Bétis”, que chegou em Madri apenas para disputar esse amistoso. No fim, o espanhol deixou uma boa impressão e seria contratado pelos merengues menos de um ano depois.

Jogo se desenhava como confronto entre os melhores times do mundo

O Santos vinha de um período de sucesso nos anos 50, mas já começava a construir o time que dominaria a década seguinte. Os brasileiros chegavam em Madri como os atuais campeões paulistas, e terminariam o ano com um vice-campeonato na Taça Brasil. Passando por uma fase de reconstrução, o Santos ainda não tinha nomes como Gylmar e Mengálvio, que fariam história no time paulista. Além disso, a defesa santista era alvo de algumas críticas.

No entanto, o Santos já contava com Pepe e Dorval nas pontas, ambos com 24 anos. No meio de campo, Zito também já estava no Peixe e tinha a grife de Campeão Mundial pelo Brasil em 1958. O meio-campista atuava como um organizador do time. Assim, Zito atuava mais recuado e era responsável por ditar o ritmo da partida, além de gostar de cadenciar o jogo para achar passes mais precisos. Por fim, o Santos contava com a ascensão do jovem Coutinho, que completara 16 anos apenas dois dias antes de chegar em Madri.

Além dessas grandes peças ofensivas, o Santos também tinha sua grande estrela para rivalizar com Di Stéfano. Pelé tinha sido campeão da Copa do Mundo em 1958, marcando seis gols no mata-mata da competição com apenas 17 anos, e chegava em Madri como a nova grande estrela mundial. Ainda com 18 anos, Pelé terminou o ano de 1959 com 52 gols e 20 assistências em 42 jogos oficiais.

Desse modo, o ar que se desenhava era de um confronto que definiria não só o melhor time do mundo, mas também o melhor jogador ao criar a rivalidade Di Stéfano contra Pelé. O meia madridista já tinha 32 anos e era consolidado entre a elite do futebol mundial, mas o jovem brasileiro já impressionava o mundo e prometia revolucionar o futebol.

Cenário pré-jogo

Ambas as equipes vinham de calendários muito complicados. O Real Madrid vinha de uma vitória na Copa dos Campeões da Europa e tinha acabado de ser eliminado na Copa do Generalíssimo. O Santos, por sua vez, realizava uma excursão pela Europa, em uma maratona de 14 jogos em 25 dias. Desse modo, os times não foram a campo com todos os seus titulares.

O Real Madrid poupou Domínguez, seu goleiro titular, Lesmes, zagueiro pela esquerda, Zárraga, volante, e Héctor Rial, atacante argentino. Além disso, Puskás também não foi titular, mas entrou no decorrer da partida. Luis Del Sol e seu compatriota Enrique Mateos aproveitaram a ausência da dupla de ataque titular para mostrar serviço. Mateos, jogador da base do Real Madrid, já havia sido peça importante na temporada 1956/1957 com 17 gols em 30 jogos, mas nas duas temporadas seguintes ele passou a se tornar uma opção no banco. Assim, o Real Madrid foi a campo com Berasaluce no gol, Marquitos, Santamaría e Casado na zaga, Santisteban e Ruiz no meio de campo e Gento, Mateos, Di Stéfano, Del Sol e Gaínza no ataque.

O Santos, em contrapartida, também entrou com suas alterações. O goleiro Laércio, contestado, não pôde entrar em campo, obrigando assim o técnico Lula a lançar o jovem desconhecido Lalá. Lula foi obrigado a improvisar o atacante Álvaro “Valente” no meio de campo ao lado de Zito, contando também com o apoio de Pelé. Por fim, o veterano Pagão foi titular no lugar do jovem Coutinho. Desse modo, o Santos foi escalado com Lalá como goleiro, Mourão e Getúlio na zaga e Pavão e Ramiro nas laterais. Zito, Álvaro e Pelé formavam o meio de campo, com Pavão, Dorval e Pepe à frente.

Início superior do Santos

Escalações e encaixe tático da partida.

O Santos começou o jogo no estilo que o técnico Lula desejava. O Peixe tinha muita calma em rodar a bola nos estágios iniciais da construção, contando com a qualidade de Zito em cadenciar o jogo e armar o time desde trás. Armado em um 4-2-4 torto, o Santos contava com pouco apoio ofensivo dos laterais, que se limitavam a auxiliar Zito na saída de bola. Além disso, os laterais também compensavam os avanços de Álvaro, atacante de ofício improvisado no meio de campo, que tendia a atacar demais e deixar o meio de campo vazio. Assim, muitas vezes o Santos se estruturava em um 2-3-5.

O time de Lula tinha calma na construção das jogadas, e só tentava executar um ritmo com mais velocidade quando a bola chegava ao ataque. Assim, as investidas de Álvaro e a circulação de Pelé iniciavam os ataques mais diretos na intermediária do Real Madrid. Além disso, o Santos contava com Zito acionando os atacantes com passes longos e com os pontas Dorval e Pepe infiltrando na defesa merengue, com Pagão se portando como um atacante de área.

Desse modo, o Santos foi superior nos primeiros 10 minutos de jogo, impondo seu ritmo lento na partida e exibindo sua técnica para circular a bola com muita qualidade e ocupar o campo de ataque. Foi nesse cenário que, após uma dividida entre Santisteban e Pagão, a bola sobrou para Pelé fora da área do Real Madrid. O brasileiro, sem titubear, bateu de primeira e com muita força para abrir o placar com um golaço. O Santos, com um aumento na confiança, ocupou de vez o campo do Real Madrid com seus cinco atacantes, e assim forçou uma grande defesa de Berasaluce após bela jogada entre os atacantes.

Encaixe do jogo favorecia o Real Madrid

À medida que o jogo ia se desenrolando e o Santos revelava seu plano para a partida, Luis Carniglia percebeu que seu estilo de jogo poderia sobressair. A virada de chave do time da casa, logo após grande defesa de Berasaluce por volta dos 12 minutos, passou pela percepção de que o encaixe dos estilos dos times favorecia o perfil do Real Madrid.

Luis Carniglia, ao chegar ao Real Madrid em 1957, focou em dar continuidade ao trabalho de seu antecessor, o espanhol José Villalonga. Além disso, o argentino queria aproveitar ao máximo as características da sua linha de ataque, composta por Di Stéfano, Gento, Kopa, Hector Rial e, mais tarde, Puskás. Carniglia logo percebeu que o Real Madrid não tinha um atacante de área, mas sim jogadores muito velozes e ágeis, que se beneficiavam de uma formação fluida e de ataques rápidos.

Carniglia, portanto, armou o Real Madrid para um jogo intenso e vertical. Os merengues priorizavam uma postura proativa na marcação, e tentavam assim recuperar a bola em estágios avançados no campo. Ao recuperar a bola rapidamente, o Real Madrid aproveitava a desorganização do adversário para cruzar o campo com velocidade.

Os ataques rápidos do Real Madrid contavam com a condução de bola de Di Stéfano e dos volantes para iniciar as jogadas. Então, a proximidade do quinteto ofensivo merengue permitia que os atacantes mostrassem sua qualidade. Os internos, normalmente Di Stéfano, Héctor Rial e Puskás, circulavam com liberdade pelo campo de ataque e rodavam a bola entre eles com muita rapidez. Os pontas, atuando como infiltradores, também eram importantes na troca de passes nas laterais do campo. Assim, o Real Madrid priorizava uma rápida troca de passes, a circulação de seus atacantes e movimentações como tabelas e ultrapassagens.

Reação fulminante do Real Madrid e virada relâmpago

Foi com seu estilo de jogo que o Real Madrid passou a controlar a partida. A partir dos 10 minutos, o time da casa acelerou suas ações e tomou a iniciativa. Os merengues aproveitaram o jogo lento do Santos para impor um ritmo mais veloz de ataque e mais intenso de marcação. Assim, contando com a bela marcação alta dos atacantes e dos volantes, o Real Madrid passou a recuperar rapidamente a bola e castigar o Santos nas transições.

O Real Madrid de Carniglia tinha dificuldades ao enfrentar times que tentavam ser mais velozes que os merengues. Isso acontecia porque, nesses casos, o Real Madrid não conseguia impor controle ao jogo e acabava se expondo, cedendo espaços ao adversário. No entanto, quando enfrentava equipes que circulavam a bola com calma e impunham seu jogo a partir da posse, o time de Carniglia superava o ritmo do adversário com facilidade e atropelava nas transições.

O Santos aprendeu essa lição do pior jeito possível. Com 15 minutos, Santisteban recuperou a bola no meio de campo e rapidamente acionou Di Stéfano. O camisa 9 madridista deu um belo passe para Mateos, que driblou dois jogadores do Santos, ajeitou o corpo e bateu cruzado para empatar a partida. Dois minutos depois, Gainza lançou Di Stéfano em velocidade pela esquerda, que driblou Pavão e cruzou para Mateos, livre, virar a partida. Com 37 minutos do primeiro tempo, Di Stéfano carregou a bola e deu um belo passe entre as linhas desorganizadas do Santos, e Mateos fez seu terceiro gol.

Volta para o segundo tempo e reação do Santos

A última meia hora do primeiro tempo foi um atropelo do Real Madrid. O Santos, desnorteado, não conseguia se adaptar ao ritmo dos madridistas, que castigavam nas transições. O lado esquerdo do time de Carniglia, com Gaínza, Del Sol e Di Stéfano, infernizou Pavão e Mourão, que atuavam na direita da defesa do Santos. Nem a entrada de Coutinho aos 20 minutos, substituindo um lesionado Pagão, surtiu efeito, e o time paulista só conseguiu mais uma boa chance em um chute de Dorval, que encontrou a trave. Faltando 1 minuto para o fim da primeira etapa, Mateos teve chance de fazer seu quarto gol. Gento, atacando pela esquerda, deixou Pavão e Getúlio para trás e acionou Di Stéfano. O argentino, mais uma vez, lançou Mateos nas costas da defesa do Santos e o espanhol balançou as redes, mas o juiz anulou o tento.

No retorno para o segundo tempo, o Real Madrid tirou Marquitos para a entrada de Atienza. Além disso, Gaínza saiu para a entrada de Júlio Gento, irmão mais novo de Paco Gento e conhecido na Espanha como Gento II. Com a entrada de seu irmão, o camisa 11 do Real Madrid voltou à ponta esquerda, sua posição de origem, e Gento II foi para o lado direito do ataque.

Na segunda etapa, o Real Madrid continuou impondo seu jogo sobre o Santos e voltou a forçar defesas de Lalá. No entanto, foi o time brasileiro o primeiro a marcar no segundo tempo. Após um desarme de Remiro em Del Sol, Pelé foi lançado e invadiu a área do Real Madrid. Santamaría dividiu com o camisa 10 e Pelé caiu. O juíz holandês Leo Horn marcou pênalti no lance, e aos 9 minutos Pepe converteu a cobrança e diminuiu o placar para 3 a 2.

Real Madrid não se desespera e aumenta a vantagem

O contra-ataque do Santos, porém, não mudou o jogo e o Real Madrid continuou superior, explorando os mesmos problemas do time brasileiro e usando os mesmos mecanismos de ataque. E foi sem se desesperar, acreditando em seu estilo de jogo, que os merengues voltaram a marcar.

Puskás, que entrara no lugar de Mateos logo depois do segundo gol do Santos, deixou sua marca com apenas três minutos em campo. Del Sol acionou Gento II pela ala direita, e o jovem ponta rasgou a defesa santista em velocidade e cruzou para Puskás fazer de peixinho e aumentar a vantagem para 4 a 2, com apenas 12 minutos do segundo tempo.

A partir daí, o Santos ficou acuado em campo e se limitou a armar contragolpes a partir de Pelé, duramente marcado pelos volantes do Real Madrid. Nem a entrada de Coutinho, que aumentava a qualidade do ataque santista, foi o suficiente para reviver o domínio brasileiro no jogo. A qualidade no toque de bola do Santos não rendia frutos por causa da lentidão do time, superada pela intensidade madridista.

E foi justamente em uma jogada de contra-ataque com Pelé que o Santos se viu de volta no jogo. Acionado em um passe longo, o camisa 10 chutou com força e Berasaluce defendeu, mas Coutinho aproveitou o rebote e diminuiu para 4 a 3 aos 25 minutos.

O Real Madrid continuou sem se desesperar e, sete minutos depois do gol do Santos, Lalá foi forçado a fazer uma grande defesa em chute de Del Sol, mandando a bola para escanteio. A superioridade do Real Madrid voltaria a ser recompensada já aos 38 minutos do segundo tempo, quando Di Stéfano recebeu a bola de Casado e fez um lançamento milimétrico para Gento, que chutou forte para fazer o 5 a 3.

Fim de jogo e repercussão imediata

Pelé ao lado de Puskás, logo após o jogo.
Foto: Reprodução/Twitter Santos FC

O show de Di Stéfano, com quatro assistências, e a noite inspirada de Mateos sacramentaram uma vitória contundente do Real Madrid, que foi superior ao Santos por praticamente 80 minutos. Os madridistas saíram com boa impressão sobre Casado, pois viam o espanhol como boa opção de elenco para a temporada seguinte. O zagueiro teve um grande duelo com Dorval pelo lado esquerdo da defesa madridista, e o brasileiro só teve uma chance de perigo no jogo todo.

O jornal espanhol Marca foi direto em sua matéria após o jogo: “Grande trabalho de Alfredo Di Stéfano, maestro de uma orquestra inteira, capaz de destruir um rival lento e pretensioso”. O AS, outro veículo da Espanha, reforçou a impressão do Marca: “O Santos tem quatro grandes atacantes, mas uma defesa lenta e fraca”, disse o jornal, que ainda completou: “No Santos, o time joga para o Pelé, mas no Real Madrid, Alfredo Di Stéfano joga para o time”.

O veículo carioca Jornal dos Sports também criticou a defesa santista, dizendo que “os ataques foram iguais em um balanço teórico, mas as defesas eram muito desiguais”. A Gazeta Esportiva reforçou essa opinião, e criticou Lula por apostar em Lalá no gol e em Pagão no ataque.

Gradim, treinador do Vasco, viu o jogo in loco e elogiou os jogadores do Real Madrid: “Estou convencido de que Alfredo Di Stéfano é, de fato, um craque extraordinário. Não tenho visto melhor. Assim, completo, que me lembre só Leônidas da Silva. Alfredo é o que se pode classificar de jogador completo. Gênio. Tem tudo. É um talento soberbo. Encantou-me”.

Impactos futuros do jogo

Os cinco gols do Real Madrid e as críticas da imprensa estrangeira e nacional à atuação santista fizeram com que o time brasileiro olhasse com mais atenção sua defesa. O Santos encaminhou o retorno de Jair, zagueiro, e Formiga, lateral, logo depois do jogo contra o Real Madrid, e assinou com ambos ainda na Europa. Mais tarde, o Peixe trouxe do rival Corinthians o goleiro Gylmar em 1962.

Pepe reconheceu as fragilidades defensivas do Santos, mas reforçou que fazia parte do estilo de jogo do time: “Olha, o Santos era assim mesmo. Tinha uma ataque espetacular, mas uma defesa mais fraca. A gente marcava muitos gols e sofria muitos também. Nesse jogo, o Pavão, nosso lateral, sofreu muito com o Gento. Deve ter sonhado com ele. O cara era um inferno. E tinha ainda o Puskás, que entrou depois”, disse.

Pelo lado do Real Madrid, Santiago Bernabéu criou interesse por Pelé imediatamente após a partida, e queria contratá-lo para suprir a saída de Raymond Kopa. Antonio Calderón, diretor esportivo do Real Madrid, confirmou o interesse por Pelé publicamente. A imprensa afirmava que o Real Madrid tinha 30 milhões de pesetas para gastar em contratações, e que a maioria seria destinada a Pelé. Para efeito de comparação, Di Stéfano não chegou a custar 2 milhões de pesetas aos cofres madridistas. Por fim, o clube decidiu que Pelé era muito novo, e desse modo não levou o negócio adiante.

Em 1965, os clubes tiveram uma chance de revanche em um quadrangular em Buenos Aires. Porém, o Real Madrid, já sem Di Stéfano, se recusou a jogar a final. Após a recusa, Pelé afirmou: “Ali, o Santos provou que era melhor time que o Real. Com todo o respeito, o que aconteceu na Espanha foi um acidente”.

Ficha técnica

Real Madrid 5×3 Santos
Local: Estádio Santiago Bernabéu, Madri (ESP)
Data: 17 de junho de 1959
Gols: Mateos 15′, 17′, 38′; Puskás 57′; Gento 83′ | Pelé 10′; Pepe 54′; Coutinho 70′

Real Madrid: Berasaluce; Marquitos (Atienza), Santamaría, Casado; Santisteban, Antonio Ruiz; Gaínza (Júlio Gento), Del Sol, Di Stéfano, Mateos (Puskás) e Gento. Técnico: Luis Carniglia.

Santos: Lalá; Pavão, Getúlio, Mourão, Ramiro; Zito, Álvaro (Afonsinho); Dorval, Pagão (Coutinho), Pelé e Pepe. Técnico: Lula.