Com Courtois melhor em campo, grande jogo da defesa e Vinícius Júnior decisivo, o Real Madrid vence o Liverpool e conquista a Champions

Neste sábado (28), Liverpool e Real Madrid protagonizaram a final da Champions League, disputada no Stade de France, em Paris. Contando com uma grande partida de Casemiro e Militão, um Courtois milagroso e Vinícius Júnior decisivo, o Real Madrid venceu o Liverpool por 1 a 0 e se sagrou campeão europeu pela décima quarta vez em sua história.

O jogo foi marcado por cenas lamentáveis antes mesmo da bola rolar. A UEFA mostrou problemas em fiscalizar a entrada de torcedores do Liverpool, e assim vários conseguiram entrar sem ingresso, causando uma lotação. Desse modo, mais de 20 mil torcedores não conseguiram entrar, mesmo com ingresso. Além disso, houve uma sensação de perigo, já que muitos torcedores que entraram sem ingresso não foram fiscalizados. Por causa desse problema, a UEFA atrasou o início do jogo em mais de meia hora, e até o show de abertura da final, realizado por Camila Cabello, sofreu com o atraso.

Apesar dos problemas, o Stade de France foi palco de um grande jogo entre as equipes. Frente a um Liverpool ofensivo e intenso, o Real Madrid teve sucesso ao se defender em um bloco médio, e contou com um grande jogo de seus defensores, que tiraram muitas bolas perigosas de dentro da área. Além disso, Courtois foi o grande destaque do jogo com incríveis 9 defesas. Por fim, o gol de Vinícius Júnior no começo do segundo tempo decidiu a partida e deixou o brasileiro marcado na história merengue.

Escalações

Ambos os times divulgaram suas escalações sem surpresas e com força máxima para decidir a final da Champions League. A única dúvida na escalação do Real Madrid era sobre o lado direito do ataque, se Ancelotti escolheria Rodrygo, um ponta de ofício, ou Valverde, para desse modo encorpar o meio de campo. As dúvidas no Liverpool, por outro lado, diziam respeito à condição física dos atletas, além da disputa entre Matip e Konaté na zaga.

O Real Madrid foi a campo com Courtois no gol, Carvajal e Mendy nas laterais e Militão e Alaba formando a zaga. Valverde acabou vencendo a disputa com Rodrygo e, assim, acompanhou o meio de campo formado por Kroos, Modric e Casemiro. Vinícius Júnior e Benzema comandavam o ataque.

Liverpool, apesar dos recentes problemas físicos no time, também lançou a escalação com força total em seu tradicional 4-3-3. O brasileiro Alisson foi o titular na meta do time inglês, e os laterais Alexander-Arnold e Robertson, titulares indiscutíveis, também começaram jogando. Konaté venceu a disputa contra Matip e foi escolhido para formar a zaga com Van Dijk. No meio de campo, Fabinho, Henderson e Thiago foram os titulares, e a dupla Salah e Mané ganhava a companhia do colombiano Luís Díaz.

Durante o aquecimento, no entanto, Thiago sentiu problemas físicos. O hispano-brasileiro era dúvida pro jogo por causa de lesões, e a imprensa chegou a divulgar que Naby Keïta o substituiria no meio de campo. Porém, na volta ao campo, Thiago voltou sem sinais de problemas físicos, e começou o jogo no time titular.

Estratégias iniciais e abordagens diferentes para a defesa

O Liverpool foi a campo com seu tradicional 4-3-3, com Luís Díaz atuando pela ponta-esquerda e Sadio Mané atuando com falso 9. Salah, na ponta-direita, completava o ataque. O Real Madrid, por sua vez, apresentava uma variação do 4-3-3 de Ancelotti. Desse modo, Valverde jogava em uma posição intermediária entre o meio de campo e o ataque pelo lado direito. O uruguaio se posicionava mais por dentro e, assim, ajudava a encorpar o meio de campo. Vinícius Júnior, por sua vez, começava bem mais aberto e avançado que Valverde. Benzema, como esperado, comandava o ataque por dentro.

A marcação alta do Liverpool, no começo do jogo, não avançava para marcar os zagueiros, mas bloqueava todas as opções de passe no meio de campo. Para responder essa postura, o Real Madrid contava com os recuos dos laterais e de Kroos e Casemiro para auxiliar a saída de bola, além de contar com ligações rápidas ou diretas.

O Real Madrid, por sua vez, não marcava o Liverpool com uma linha avançada, e priorizava um bloco mais médio, fechando as opções de passe no meio de campo. O principal problema defensivo do Real Madrid se mostrava nessa fase: como o time merengue marcava em um 4-1-4-1, Casemiro tinha muito campo entre as linhas para cobrir. Pela direita, Valverde ajudava a cobrir as costas de Modric, mas Kroos, pela esquerda, não tinha a mesma ajuda. Assim, o Liverpool muitas vezes encontrava espaço nas costas do alemão. Além disso, Valverde também auxiliava Carvajal para cobrir as investidas de Luís Díaz pelo lado direito da defesa do Real Madrid.

Estratégias ofensivas, problemas para o Real Madrid e Liverpool superior

O Liverpool ocupava o campo de ataque com facilidade, com o trio de ataque atuando por dentro. Pelo lado esquerdo, Robertson ocupava a lateral e abria o campo pelo setor, atuando como um ponta, liberando Luís Díaz para atuar por dentro. Pela direita. Salah também ficava mais por dentro, e o meio-campista Henderson abria o campo pelo lado direito. Alexander-Arnold não atuava por fora como Robertson, e se juntava ao meio de campo com Fabinho e Thiago. Mané, atuando como falso 9, atacava as costas de Kroos e Modric e causava muitos problemas para a defesa merengue com suas movimentações.

O Liverpool emplacava um ritmo rápido e frenético com a posse de bola. Essa ocupação do campo de ataque oferecia uma facilidade maior ao Liverpool para trocar passes no campo do Real Madri. Assim, logo aos 15 minutos, Salah teve uma chance de abrir o placar, mas Courtois bloqueou o desvio do egípcio. 5 minutos depois, também após uma troca de passes do Liverpool, Mané limpou os zagueiros e bateu da entrada da área, mas Courtois realizou outro milagre.

A marcação pressão do Liverpool era muito eficaz ao bloquear as opções de passe no meio de campo do Real Madrid. Kroos, muito pressionado, não conseguia conectar a saída de bola com os outros meio-campistas, e assim o time merengue precisava contar com ligações diretas. Além disso, o gegenpressing (ou contrapressão) do Liverpool sufocava a principal arma ofensiva do Real Madrid: os contra-ataques. O perde-pressiona do Liverpool tinha muito sucesso para bloquear os primeiros passes do adversário, e impedia assim que Vinícius Júnior e Valverde fossem acionados para puxar o contra-ataque.

Reta final do primeiro tempo e Real Madrid cresce no jogo

O cenário do começo do começo de jogo se manteve na maior parte do primeiro tempo. Após os 30 minutos de jogo, o Real Madrid conseguiu manter mais a posse de bola, mas não conseguia sair do campo de defesa. Os Reds bloqueavam as bolas para Vinícius Júnior, que era a válvula de escape do Real Madrid, e mesmo quando o brasileiro conseguia ser acionado, a velocidade de Konaté era muito importante para bloquear as investidas de Vinícius Júnior.

Nos minutos finais da primeira etapa, no entanto, o Real Madrid passou a avançar mais com a bola e o Liverpool, assim, recuava o bloco de marcação, se defendendo em um 4-1-4-1. Assim, os merengues conseguiam ocupar um pouco mais o campo de ataque, mas o Liverpool ainda tinha sucesso em bloquear a troca de passes do Real Madrid no terço final. Mesmo sem conseguir oferecer perigo, no entanto, os merengues conseguiam frear o ritmo intenso do adversário e controlar mais o jogo.

Já aos 43 minutos, Alaba conseguiu achar um lançamento espetacular para Benzema. O francês ficou cara a cara com Alisson, mas demorou para chutar e teve que rolar a bola pra trás. Valverde invadiu a área e dividiu a bola com Fabinho, que disputou e tocou na bola. Ela sobrou para Benzema, que marcou o gol. Porém, o VAR anulou a jogada por um impedimento de Benzema logo antes do francês marcar o gol, mesmo com o último toque antes da bola voltar ao Real Madrid ser de Fabinho. O primeiro tempo terminou com um Liverpool superior, mas com o Real Madrid crescendo na reta final.

Começo de segundo tempo equilibrado e gol do Real Madrid

Os dois times voltaram do intervalo sem alterações, mas já com jogadores aquecendo no banco de reservas. O Liverpool começou a segunda etapa voltando a emplacar o ritmo intenso dos primeiros 30 minutos de jogo, e logo aos 2 minutos Luís Díaz conseguiu um desvio de cabeça após lançamento de Alexander-Arnold, mas Carvajal teve sucesso na cobertura. O Real Madrid, no entanto, passou a ter mais poder de reação, conseguindo circular mais a bola e encaixar alguns contragolpes.

A estratégia merengue, nessa fase do jogo, era bem clara. O Real Madrid aproveitava a qualidade de passe de seus meio-campistas para superar a pressão do Liverpool, que já não encaixava tão bem quanto no primeiro tempo. Assim, o time de Ancelotti atraía a marcação dos Reds, que pressionava em um bloco muito compacto. A compactação do Liverpool era essencial para bloquear os espaços por dentro, mas deixava espaço pelos lados e nas costas da defesa. Isso permitia que o Real Madrid acionasse suas opções de velocidade, como Carvajal, Valverde e principalmente Vinícius Júnior.

E foi através dessa estratégia que, aos 13 minutos do segundo tempo, Modric e Casemiro trocaram passes por dentro e acionaram Valverde em velocidade pelo lado direito. O uruguaio carregou a bola até a entrada da área e bateu cruzado. Vinícius Júnior aproveitou que Alexander-Arnold vigiava a bola e, sozinho, desviou a bola de Valverde e abriu o placar.

Primeiras alterações e pressão do Liverpool

Como resposta ao gol do Real Madrid, Klopp tirou Luíz Díaz e colocou o português Diogo Jota para atuar pela ponta-esquerda. O Liverpool continuava impondo seu ritmo no jogo, mas as grandes atuações de Mendy, Casemiro e Militão, além de um jogo impecável de Courtois, conseguiam bloquear os ataques do Liverpool.

Salah teve duas chances em menos de 5 minutos, mas ambas pararam em Courtois. Na primeira, Salah recebeu a bola na ponta-direita, cortou para dentro e bateu de fora da área, mas o goleiro belga se esticou e mandou a bola para escanteio em uma grande defesa. Pouco depois, após uma jogada de bola parada, o Liverpool conseguiu um cruzamento para dentro da área e Salah recebeu a bola em cima da segunda trave. O camisa 11 conseguiu o desvio, mas Courtois chegou a tempo e bloqueou a bola com a perna.

O gol do Real Madrid ligou um sinal de alerta no time do Liverpool, que cada vez mais começava a acelerar suas jogadas ofensivas, tentando muitas jogadas diretas e se lançando ao ataque. Assim, os Reds trabalhavam menos seus ataques e priorizavam passes diretos e movimentações mais rápidas. Portanto, o Liverpool invadia cada vez mais a área, mas a defesa do Real Madrid tinha sucesso em defender essas investidas, mesmo tão próximos do próprio gol.

Liverpool parte pro abafa, mas Real Madrid segura

Já com meia hora da segunda etapa, Klopp tirou Henderson e Thiago para a entrada de Keïta e Firmino. Assim, o Liverpool saída de seu 4-3-3 para um 4-2-3-1, com Fabinho e Keïta como volantes e Salah, Mané, Diogo Jota e Firmino circulando pelo ataque. Pouco depois das substituições, o Liverpool conseguiu achar Salah pelo lado direito, o egípcio bateu com força e a bola desviou em Diogo Jota, mas Courtois não foi enganado pelo desvio e se esticou para defender a bola no canto esquerdo. Pouco depois, Salah foi novamente acionado, dessa vez em uma bola longa, e invadiu a área. O egípcio bateu com o pé direito, mas Courtois voltou a defender.

O Real Madrid só realizou a primeira alteração com 40 minutos do segundo tempo, quando Ancelotti tirou Valverde para a entrada de Camavinga. Assim, o time merengue passava de vez para um 4-4-2, com Camavinga se juntando à linha dos meio-campistas. 3 minutos depois, Ceballos entrou no lugar de Modric. Por fim, já nos acréscimos, Rodrygo entrou no lugar de Vinícius Júnior.

O Real Madrid aproveitava que o Liverpool se lançou definitivamente ao ataque e aproveitava o espaço às costas da defesa. Assim, os merengues tiveram duas chances de matar o confronto, a primeira com Vinícius Júnior e a segunda com Ceballos, mas ambas as jogadas morreram na defesa do Liverpool.

Nos minutos finais, o Real Madrid focou em esfriar o ritmo de jogo do Liverpool, que continuava tentando se lançar ao ataque, atacando com praticamente 8 jogadores. Com seu 4-2-3-1, os 2 volantes, os 2 laterais e os 4 atacantes atacavam a defesa do Real Madrid, que baixou ainda mais o bloco de marcação e defendia praticamente dentro da própria área.

Fim de jogo e Real Madrid campeão

A defesa do Real Madrid, liderada pela dupla de zaga Militão e Alaba, além do volante Casemiro, teve muito sucesso em bloquear as investidas do Liverpool, que cada vez mais focava em jogar a bola na área, sem se preocupar em elaborar as jogadas. Assim, a cada vez que o tempo passava, os ataques dos Reds levavam cada vez menos perigo, e a defesa madridista tinha muito sucesso em tirar as bolas cruzadas na área.

O Liverpool terminou o jogo com 24 finalizações, sendo 9 no alvo, além de 54% da posse de bola. Além disso, 15 das finalizações foram de dentro da área, mas apenas uma resultou em uma grande chance. O Real Madrid, por sua vez, foi recompensado por sua eficácia, já que finalizou apenas 4 vezes e criou duas grandes chances, mas saiu campeão.

Ficha técnica

Liverpool 0 x 1 Real Madrid
Local:
Stade de France, Paris (FRA)
Data: 28 de maio de 2022
Gols: Vinícius Júnior 58′

Liverpool: Alisson; Alexander-Arnold, Konaté, Van Dijk, Robertson; Fabinho, Henderson (Keïta), Thiago (Firmino); Salah, Mané e Luís Díaz (Diogo Jota). Técnico: Jürgen Klopp.

Real Madrid: Courtois; Carvajal, Militão, Alaba, Mendy; Casemiro, Modric (Ceballos), Kroos, Valverde (Camavinga); Benzema, Vinícius Júnior (Rodrygo). Técnico: Ancelotti